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Mercado do café busca técnicas mais sustentáveis

03/10/2019 | Estadão

Reduzir poluentes, consumir menos água potável e reciclar resíduos, como as cápsulas de expresso, estão entre os desafios das empresas

Um dos maiores desafios para empresas em geral tem sido trabalhar aspectos de sustentabilidade. À medida que o nosso planeta se torna mais populoso, a necessidade de se produzir alimentos em quantidade suficiente para alimentar a todos leva a uma longa discussão sobre como atender a todas as bocas sob o menor impacto ambiental.

Os produtores de café tem empregado cada vez mais técnicas e tecnologias para que a produção dos grãos seja feita com menor quantidade de insumos como fertilizantes químicos e pesticidas. Também têm investido na pesquisa de processos de secagem que usem o mínimo de água potável.

Por exemplo, o processo conhecido por Lavado ou Fully Washed, muito comum nos países da América Central e que foi popularizado no mundo pela Colômbia, emprega muita água para a fermentação da polpa que envolve as sementes do cafeeiro. Hoje, existe uma intensa busca por tecnologias que aumentem o aproveitamento da água, bem como a purificação para torná-la novamente potável.

No momento em que os grãos de café chegam à etapa de industrialização – que pode ser desde uma microtorrefação em cafeteria até a manipulação em uma grande empresa -, existe uma preocupação em empregar processos mais eficientes, contemplando desde um menor consumo de combustível até menor geração de gases de combustão (da tão conhecida pirólise…), evitando-se problemas para o meio ambiente.

O uso de materiais recicláveis passou a ser uma visão obrigatória entre as empresas. Embalagens feitas com material reciclável e potes de vidro para sistemas de recarga de café torrado são bons exemplos de comportamento ecológico.

Entre os profissionais do serviço do café, uma das mais recentes discussões tem sido a substituição de filtros de papel por outros confeccionados em aço inox. Por exemplo, a Aeropress, método de preparo cujo utensílio lembra uma grande seringa de injeção, ganhou um sistema de filtro composto por dois discos de aço inox, cujo movimento cria um sem número de aberturas para a passagem do café. Idealizado por coffee lovers de Toronto, Canadá, recebeu o nome de Ameuus.

Nas cafeterias, um dos problemas é o consumo de água para se escaldar os filtros de papel, processo que tem a missão de retirar o gosto do cloro que é usado em sua fabricação. A questão delicada é o volume de água potável, que é a fração nobre da água do nosso planeta, empregado para essa operação.

Por outro lado, a borra do café que fica no filtro pode servir para compor a terra de uma horta caseira ou urbana, com a vantagem de espantar alguns insetos devido ao resíduo da cafeína e família.

E as cápsulas?

Um dos grandes métodos de consumo de café é o composto pelas cápsulas, categoria inaugurada pela Nespresso. E uma das críticas mais fortes contra esse sistema tem sido o fato de ser considerado não-ecológico.

Cápsulas de café podem ser recicladas. FOTO: Felipe Rau/Estadão

Comprar as cápsulas com sua gama de sabores em lojas cuja atmosfera é atraente e reconfortante e tendo, além de tudo, um anfitrião super simpático (alô, George Clooney), é uma incrível experiência. No entanto, quando em casa, depois de preparar uma xícara que é uma viagem pelo mundo, uma pergunta vem: o que fazer com as cápsulas utilizadas? Como descartar?

Essa foi sempre a crítica mais forte contra as cápsulas, incluindo-se as chamadas compatíveis, feitas em materiais plásticos e que surgiram após a queda de patentes da Nespresso.

Porém, um enorme esforço de profissionais dessa empresa foi iniciado para se encontrar as melhores respostas.

Há poucos dias, um produto simplesmente surpreendente foi anunciado pela gigante suíça. Com base no conceito de economia circular, no qual o “recircular” significa “reciclar” de forma criativa – como a conversão das cápsulas em objetos que podem ser úteis e que contribuam para que o meio ambiente fique mais limpo e feliz – foi apresentado o projeto Velósophy.

Bicicleta Velósophy, criação da Nespresso. FOTO: Nespresso

A proposta envolve a conversão de cerca de 300 cápsulas de alumínio em uma bicicleta, que é o símbolo de uma movimentação limpa e ecológica. Uma série especial de 100 bicicletas Velosóphy foi lançada com vendas somente na Suíça.

Uma outra iniciativa da Nespresso é a parceria com a renomada Caran d’Ache, que tem por objetivo a confecção de lapiseiras cujo corpo é de alumínio reciclado a partir das cápsulas.

É um começo.

Esperamos que seja um projeto que inspire outros na criação de produtos úteis, funcionais e dentro do espírito de sustentabilidade.

Veja a notícia no site do Estadão.

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