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Arquiteta cria casa móvel de só 17 m²

04/11/2019 | Casa Vogue

A casinha em sua localização atual: uma tranquila área verde nos arredores de Joanesburgo

Nascida em Moçambique e atualmente baseada na África do Sul, a arquiteta Clara da Cruz Almeida é quem assina esta casa tão miúda quanto bem resolvida. Em um quebra-cabeças de 17 m², ela encaixou living, cozinha, quarto, banheiro e toda uma filosofia sobre o morar. O gérmen do projeto foi semeado há alguns anos pelos questionamentos de um estagiário que trabalhou com ela. À época, o jovem Dawn Dludlu compartilhou suas inquietudes sobre os preços de moradia nos grandes centros e a distância entre trabalho e lar. A partir das reflexões, determinada a ajudá-lo a “começar pequeno, mas com instalações de alto nível”, sem abrir mão de estética e design, Clara propôs: que tal comprar uma pequena casa móvel e negociar o aluguel do terreno onde ela será instalada? Match!

Móveis compactos e multiuso, como esta mesa de jantar (à esq.), que se transforma em aparador ou mesa de centro, são opções certeiras para espaços reduzidos)

Ela desenhou o projeto, batizou-o de Pod-Idladla e, finalmente, tirou-o do papel, com o intuito de disseminar o conceito. O dono da primeira unidade? Dawn, claro – que atualmente usa a casinha ao lado da mulher, Khanyi, como um refúgio de fim de semana em uma área verde nos arredores de Joanesburgo.

Detalhe do sistema de suportes e prateleiras móveis, que podem ser trocadas de posição de acordo com o uso

Pré-fabricada com aço, alumínio e madeira, a residência exibe soluções sustentáveis e econômicas. “A ideia era usar materiais que pudessem ser produzidos em uma fábrica, para reduzir o tempo gasto no canteiro de obras e permiti rmaior precisão em relação aos custos”, explica Clara. Ela ressalta que os interiores são revestidos de compensado – o que elimina a necessidade de pintura –, enquanto o exterior de madeira pode, com manutenção e tratamento adequados, durar mais de cem anos.

Cavalos circulam livremente pelas cercanias da casa

Embora a moradia de Dawn e Khanyi apresente divisões óbvias de ambientes, ela foi originalmente concebida para ser fluída, se assim os proprietários desejarem: segundo Clara, a planta não tem cômodos delimitados e, sim, espaços multiusos que assumem diferentes funções de acordo coma necessidade. “É possível usar o living para guardar roupas e equipamentos esportivos ou fazer um canto de estudos no mezanino, caso não queira que o quarto fique ali”, sugere ela. Até o chuveiro é integrado – ele foi engenhosamente instalado na passagem entre dois ambientes. “Faz sentido que algo que você usa uma vez por dia, por apenas alguns minutos, tenha um cômodo só pra ele?”, questiona a profissional.

As fachadas lateral e posterior exibem as duas partes da construção: o topo, de aço inox, e a base, de madeira, cada uma delas projetada para ser carregada por apenas duas pessoas, o que elimina a necessidade de máquinas de grande porte, como guindastes, na instalação

Antes de chegar ao resultado final, muita pesquisa aconteceu.No caso do compacto banheiro, o estalo veio a partir de uma viagem a Estocolmo, onde a arquiteta conheceu uma residência em que o antigo armário embutido fora transformado em toalete. Ela ainda estudou a filosofia nipônica sobre o morar em áreas extremamente reduzidas. “Em uma casa minúscula, todo espaço deveria ter uso duplo, se não triplo!”, opina.

A vista lateral evidencia o deque da varanda – é ali que os moradores relaxam, tomam sol e contemplam a paisagem)

A decoração foi entregue ao escritório de design Dokterand Misses, escolhido por Clara por ter um estilo minimalista com toques industriais. Repare na solução de armazenamento adotada: um sistema de caixas apoiadas em suportes nas paredes permite mudá-las de posição de forma prática, mantendo tudo em ordem.

A pequena e completa cozinha tem fogão, pia, bancada, prateleiras e armários para organizar utensílios

A mobília também foi desenvolvida para ser multiuso, a exemplo da mesa de jantar, que se transforma em aparador ou mesa de centro. “Movimentar as coisas permite personalizar a maneira de viver”, afirma Katy Taplin, do Dokterand Misses. “Por ser um lugar tão pequeno, não há o luxo de dizer: este é e sempre será um escritório. Às vezes, pode ser uma lavanderia, às vezes, um quarto vago”, elabora. Para Clara, o próximo desafio é tornar a produção do Pod-Idladla totalmente local e fazer com que seja mais responsivo termicamente, para que se adapte a diferentes zonas climáticas. A ideia básica, no final das contas, não é passar todo o tempo em casa, mas, sim, como ela aponta, “viver em menos espaço, gastar menos dinheiro e sair com mais frequência”. Viva a vida leve.

A proprietária Khanyi posa na grande janela do mezanino, que garante ventilação privilegiada à casa

O mezanino arejado e bem iluminado ganhou função de quarto, cujo pé-direito alto faz com que as dimensões restritas pareçam relativamente maiores

O casal de proprietários, Khanyi e Dawn, posa no deque da casa, transformado em varanda

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