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Canudinhos plásticos perdem espaço no comércio em prol do meio ambiente

08/08/2018 | A Tribuna

Canudos correspondem a 4% de de todo o lixo plástico encontrado no mundo (Foto: Shutterstock)

Você já se questionou sobre a quantidade de canudinhos plásticos que utiliza toda vez que decide tomar um suco ou um refrigerante fora de casa? Eles parecem inofensivos, mas depois de serem usados por apenas alguns minutos são descartados e podem levar até 400 anos para se decompor no meio ambiente. 

O tema ganhou destaque, principalmente entre os estabelecimentos comerciais, após uma lei prevendo a troca do material por outros reutilizáveis, entrar em vigor no Rio de Janeiro. Pela nova legislação, bares, restaurantes e quiosques da cidade estão proibidos de utilizar o utensílio. E, em caso de descumprimento da lei, a multa é de R$ 3 mil, podendo dobrar em caso de reincidência. 

Na Câmara de São Paulo, um projeto de lei sobre a substituição do material também está em discussão. De acordo com o texto, de autoria do vereador Reginaldo Tripoli (PV), fica proibido o fornecimento de canudos de material plástico aos clientes de hotéis, restaurantes, bares, padarias, casas noturnas entre outros estabelecimentos comerciais.

O PL também prevê multa para os estabelecimentos que descumprirem a decisão: a primeira autuação será em forma de advertência e intimação para cessar a irregularidade. Na segunda, multa de R$ 1 mil mais nova intimação. Na terceira, multa no dobro do valor e, assim, sucessivamente até a quinta autuação. Já na sexta autuação, multa de R$ 8 mil e fechamento do comércio.

Em Santos, um projeto semelhante já tramita na Comissão Permanente de Finanças e Orçamentos da Casa e prevê a substituição de canudos plásticos por modelos biodegradáveis. A intenção do projeto, apresentado pelo vereador Adilson Junior (PTB), é ajudar na qualidade de vida da população, além de diminuir a degradação ao meio ambiente. 

No Madê Cozinha Autoral, canudos utilizados são de aço inoxidável (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Mudança de comportamento 

Apesar de em Santos ainda não existir nenhuma legislação obrigando a substituição do material, alguns empresários já se anteciparam à decisão e adotaram novas práticas em bares e restaurantes do Município. 

Um deles é o Madê Cozinha Autoral, que não utiliza canudinhos plásticos desde que abriu as portas, há oito meses. Quem vai ao restaurante se depara com um canudo diferente: feito de aço inoxidável (inox). Antes de chegar a esse modelo, a casa também experimentou o canudo de papel, mas esse, como amolecia com o tempo, acabou sendo substituído. 

No Empório Casa Porto, localizado na Ponta da Praia, os canudos plásticos não são mais oferecidos aos clientes desde o último dia 1º, de acordo com o empresário Carlos Roberto Gil Pereira. 

Na casa, inaugurada há quatro anos, cerca de 40 mil canudinhos foram distribuídos a clientes. “Tiramos os canudos plásticos do nosso serviço e não colocamos nenhuma outra opção até o momento, devido ao de inox utilizar lavagem individual e o de papel vir da árvore de eucalipto. Então, acreditamos que não seria uma troca 100% válida. Devemos utilizar outra opção para quem realmente deseja o uso de canudinho”, explica o empresário. 

Já no Le Lis Bistrô, localizado no Gonzaga, desde a abertura da casa há uma grande preocupação em torno do uso de descartáveis plásticos. Por isso, de acordo com o proprietário e chef, João Souza, os canudos plásticos deixaram de ser entregues aos clientes. 

No estabelecimento, eram gastos cerca de 180 unidades do material por semana. Com o fim da distribuição, além de beneficiar o meio ambiente, a casa passou a ter uma economia financeira. Hoje, apenas canudos de papel são encontrados na casa. Porém, segundo João, só são entregues para os clientes "que fazem absoluta questão do uso". 

No Obba Saudável, bebidas não serão mais servidas com canudos plásticos (Foto: Divulgação/Obba Saudável)

Um outro local em Santos que promete dar um fim aos canudinhos de plástico, em breve, é o Obba Gastronomia Saudável, situado no Boqueirão. De acordo com o empresário Bruno Guedes, responsável pelo departamento comercial e marketing do estabelecimento, o restaurante estuda neste momento as melhores alternativas para a substituição do material. 

“O canudo de papel não é sustentável, então estamos estudando a possibilidade de fornecer os reutilizáveis. Eu, particularmente, acredito que os canudos de inox e os de vidro são os mais indicados, porque de fato o de plástico é muito danoso. Se acabar no mar, pode ainda matar tartarugas e outros animais marinhos”, afirma Guedes, que ainda chama a atenção para uma mudança de comportamento por parte da população. 

“É importante falar que os clientes e a população de forma geral ainda estão pouco conscientes sobre a importância de substituir esse material e também a respeito do não uso do canudo. Eu, como consumidor, quando vou em algum estabelecimento ou até mesmo no meu, bebo um suco e não utilizo canudo. Perdi esse hábito, a partir do momento em que comecei a obter uma série de informações de quão prejudicial é para o meio ambiente”. 

Canudos chamam atenção para problema maior 

Hoje, os canudos representam cerca de 4% de todo o lixo plástico encontrado no mundo. Segundo dados oficiais da ONG Ocean Conservancy, sediada nos Estados Unidos, foi o 7º item mais coletado nos oceanos em todo o mundo no ano passado.  

Por isso, o professor mestre em química e docente dos cursos de Química e Engenharia na Universidade Católica de Santos (UniSantos), Marco Antonio Cismeiro Bumba, chama a atenção para a necessidade de educar toda a população para o uso do plástico. 

“O canudo é apenas uma parte de todo o problema. Acho importante essa polêmica porque chama a atenção para algo bem maior. O plástico utilizado no canudo, em média, leva 100 anos para se decompor. Mas alguns polímeros (matéria-prima para a fabricação do plástico) podem levar até 400”, explica. 

O plástico hoje está presente em quase todos os utensílios do nosso dia-a-dia: da escova de dente ao carro que dirigimos. Por isso, a discussão em torno dos canudinhos plásticos, na avaliação do docente, também tem como objetivo chamar a atenção para os nossos hábitos do cotidiano. 

“Os polímeros estão presentes no corpo das canetas, nas sacolas plásticas que usamos, no telefone, em computadores. E, dependendo do meio em que estão, essa decomposição pode levar ainda mais tempo. Mas a pergunta que hoje devemos nos fazer é por qual razão estamos usando canudo?”.

Atualmente, no mercado, além das opções reutilizáveis, já existem até mesmo canudinhos comestíveis e biodegradáveis, feitos com açúcar, gelatina, amido de milho. 

“O plástico comum é feito a partir de derivados do petróleo. Já o biodegradável é derivado de um produto vegetal. Por ter esses microorganismos em sua composição, sua decomposição é rápida”. 

Confira a notícia no site A Tribuna.

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